Domingo, Janeiro 25, 2009

Jane Eyre

Como Edmund Burke disse "Quanto mais vigorosa a mente, mais violenta a paixão em que se deixa envolver"...

Assim, a memória inexorável das cenas desta série...

Domingo, Janeiro 11, 2009

...

"(...) Não importa sol ou sombra
Não importa o preto e branco
Que os meus sonhos são as cores
Todas juntas numa só (...)"

Delfins - A cor azul - Saber A Mar

Domingo, Novembro 02, 2008

E por vezes...

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos.

David Mourão-Ferreira

Domingo, Agosto 31, 2008

Ponto de vista do dia...

"Quem nunca sofreu por amor nunca aprenderá a amar. Amar é o terror de perder o outro, é o medo do silêncio e do quarto deserto, de tudo o que se pensa sem poder falar, do que se murmura a sós sem ter a quem dizer em voz alta. É preciso sentir esse terror para saber o que é amar. E, quando tudo enfim desaba, quando o outro partiu e deixou atrás de si o silêncio e o quarto deserto, por entre os escombros e a humilhação de uma felicidade desfeita, resta o orgulho de saber que se amou." Miguel Sousa Tavares in Rio das Flores

Sábado, Agosto 30, 2008

Ponto de vista do dia...

"A caridade é um luxo de ricos, um prazer exclusivo de quem nasceu rico. A consciência de quem nasceu pobre não se apazigua com essa facilidade: pelo contrário, só desassossega." Miguel Sousa Tavares in Rio das Flores

Sexta-feira, Agosto 29, 2008

Ponto de vista do dia...

"Há decisões que se tomam e que se lamentam a vida toda e há decisões que se amarga o resto da vida não ter tomado. E há ainda ocasiões em que uma decisão menor, quase banal, acaba por se transformar, por força do desconhecido, numa decisão imensa, que não se buscava mas que vem ter connosco, mudando para sempre os dias que se imaginava ter pela frente. Às vezes, são até estes golpes do destino que se substituem à nossa vontade paralisada, forçando a ruptura que temíamos, quebrando a segurança morta em que habitávamos e abrindo as portas do desconhecido de que fugíamos." Miguel Sousa Tavares in Rio das Flores

Quinta-feira, Agosto 28, 2008

Ponto de vista do dia...

"A arte, qualquer arte, não tem de servir um fim: a arte oferece-se a si mesma e esse é o seu fim natural." Miguel Sousa Tavares in Rio das Flores

Quarta-feira, Agosto 27, 2008

Ponto de vista do dia...

"Sabes, tenho medo daquilo a que a gente se habitua." Miguel Sousa Tavares in Rio das Flores

Terça-feira, Agosto 26, 2008

Ponto de vista do dia...

"Um quadro não se pinta só com o olhar, pinta-se também com os sentimentos, com a alma, com o estado de espírito, com os sonhos, os pesadelos, tudo isso. É o consciente e o inconsciente, o visível e o obscuro. É isso a arte moderna." Miguel Sousa Tavares in Rio das Flores

Segunda-feira, Agosto 25, 2008

Ponto de vista do dia...

"(...) nasci tarde de mais para o desconhecido, cedo de mais para a lucidez." Miguel Sousa Tavares in Rio das Flores

Domingo, Agosto 24, 2008

Ponto de vista do dia...

"Tenho medo de uma coisa que tu não temes: que, depois de conhecer a liberdade, de ter viajado e vivido em países livres, não me volte a habituar a viver de outra maneira. Tenho medo que a liberdade se torne um vício, enquanto que agora é apenas uma saudade." Miguel Sousa Tavares in Rio das Flores

Sábado, Agosto 23, 2008

Ponto de vista do dia...

"À elite pertence-se, naturalmente, pelo berço e, a seguir, pelo mérito e pelo exemplo. Espero bem que tu, que és tão igualitário, o venhas a perceber por ti, porque, se o não perceberes, não vais pertencer a mundo nenhum: os iguais a ti desprezar-te-ão como um renegado e os de baixo não te reconhecerão como um dos seus." Miguel Sousa Tavares in Rio das Flores

Sexta-feira, Agosto 22, 2008

Ponto de vista do dia...

"Aí tens o teu sufrágio universal: o povo vota em quem lhe mandarem os que ele respeita ou teme." Miguel Sousa Tavares in Rio das Flores

Quinta-feira, Agosto 21, 2008

Ponto de vista do dia...

"O coração não muda. Uma pessoa pode mentir, ter esperança, fingir para si próprio... mas, no fim, é possível escapar àquilo de que somos feitos?" Joanne Harris in Sapatos de Rebuçado

Quarta-feira, Agosto 20, 2008

Ponto de vista do dia...

"Lá fora, o vento matraqueia a tabuleta pintada de fresco e a chuva chia no empedrado das ruas, e Dezembro está prestes a chegar, há uma sensação de tamanha segurança e estabilidade que quase esqueço que as nossas paredes são de papel - as nossas vidas de vidro - que uma rajada de vento nos pode rachar, que uma tempestade de Inverno nos pode fazer ir pelos ares." Joanne Harris in Sapatos de Rebuçado

Terça-feira, Agosto 19, 2008

Ponto de vista do dia...

"(...) os maiores perigos nunca se fazem anunciar com pompa, antes aparecem pela calada, com insidiosa brusquidão, invisíveis e traiçoeiros." José Rodrigues dos Santos in O Sétimo Selo

Segunda-feira, Agosto 18, 2008

Ponto de vista do dia...

"O silêncio pode transformar-se num estrondo inaudito." Sveva Casati Modignani in Lição de Tango

Domingo, Agosto 17, 2008

Ponto de vista do dia...

"Eu conservo no coração a recordação de todos os meus mortos, que se calaram para sempre. Mas se escutar o silêncio, então ouço as suas vozes, as suas histórias, e parece que enlouqueço. É esta a vida que deixo entrar pela porta escancarada." Sveva Casati Modignani in Lições de Tango

Sábado, Agosto 16, 2008

Ponto de vista do dia...

"Riram-se, divertidos, conscientes de que, se o final risonho não existe, existe pelo menos um mundo risonho até se chegar à meta." Sveva Casati Modignani in Lições de Tango

Sexta-feira, Agosto 15, 2008

Ponto de vista do dia...

"(...) a imaginação depende da experiência, ou é a experiência que é influenciada pela imaginação?" Anita Shreve in Casamento em Dezembro

Quinta-feira, Agosto 14, 2008

Ponto de vista do dia...

"- A catástrofe é mesmo assim - (...) - É, com muita frequência, a mais democrática de todas as ocorrências." Anita Shreve in Casamento em Dezembro

Quarta-feira, Agosto 13, 2008

Ponto de vista do dia...

"- Uma calamidade, uma catátrofe... altera tudo, não é? Torna-nos conscientes de que não podemos ser indiferentes diante da nossa própria vida. Uma pessoa não pode renunciar pura e simplesmente à sua vida." Anita Shreve in Casamento em Dezembro

Terça-feira, Agosto 12, 2008

Ponto de vista do dia...

"- As coisas que não nos acontecem e que nunca saberemos que não nos aconteceram - (...) - As não-histórias." Anita Shreve in Casamento em Dezembro

Segunda-feira, Agosto 11, 2008

Ponto de vista do dia...

"Sabia agora que confessar uma coisa só servia para a tornar mais real." Anita Shreve in Casamento em Dezembro

Domingo, Agosto 10, 2008

Ponto de vista do dia...

"É no êxtase que germinam as sementes da perda." Anita Shreve in Casamento em Dezembro

Sábado, Agosto 09, 2008

Ponto de vista do dia...

"- Percebes, é assim que funciona. Por incrementos. Ao princícpio, uma pessoa tem grandes expectativas. Mas depois a vida, aos poucos, começa a perverter essas expectativas, a torná-las ingénuas ou idiotas." Anita Shreve in Casamento em Dezembro

Sexta-feira, Agosto 08, 2008

Ponto de vista do dia...

"Qual o interesse da ficção, interrogou-se (...) se não para alterar a realidade? Para reescrever a histórias? Para acalmar os nossos sonhos febris?" Anita Shreve in Casamento em Dezembro

Quinta-feira, Agosto 07, 2008

Ponto de vista do dia...

"- Num instante, uma cidade inteira foi arrasada. Quem imaginava que isso fosse possível? Porque é que o amor não há-de ser igualmente possível num breve instante?" Anita Shreve in Casamento em Dezembro

Quarta-feira, Agosto 06, 2008

Ponto de vista do dia...

"Não há dúvida de que a pátria é o gosto que nos deixam na boca os anos da infância." Amalia Decker Márquez in Tardes de chuva e chocolate

Segunda-feira, Maio 05, 2008

Ponto de vista do dia...

Recomeça... se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcances não descanses, de nenhum fruto queiras só metade. Miguel Torga

Sábado, Março 22, 2008

Dia mundial da poesia

É noite. A noite é muito escura. Numa casa a uma grande distância
Brilha a luz duma janela.
Vejo-a, e sinto-me humano dos pés à cabeça.
É curioso que toda a vida do indivíduo que ali mora, e que não sei quem é,
Atrai-me só por essa luz vista de longe.
Sem dúvida que a vida dele é real e ele tem cara, gestos, família e profissão.
Mas agora só me importa a luz da janela dele.
Apesar de a luz estar ali por ele a ter acendido,
A luz é a realidade imediata para mim.
Eu nunca passo para além da realidade imediata.
Para além da realidade imediata não há nada.
Se eu, de onde estou, só vejo aquela luz,
Em relação à distância onde estou há só aquela luz.
O homem e a família dele são reais do lado de lá da janela.
Eu estou do lado de cá, a uma grande distância.
A luz apagou-se.
Que me importa que o homem continue a existir?


Alberto Caeiro - É noite

Sexta-feira, Janeiro 11, 2008

Ponto de vista do dia...

Não pequena coisa é trilhar um caminho seguro onde menos se tropece e mais facilmente se adiante. Rui Figueiredo Marcos in A História do Direito e o seu Ensino na Escola de Coimbra

Quinta-feira, Novembro 01, 2007

1 DE NOVEMBRO...

VIVER no coração dos que nos AMAM não é MORRER...

Quinta-feira, Outubro 11, 2007

Adeus?!

"...futuramente para estas folhas serão atirados factos sucessivos que se sucederão sucessivamente sem cessar, sem ordem nem desordem, mas num emaranhado constante! ... "
Era assim que começa o blogue do Senhor Acácio Simões... O ATÓNITO - Um blogue feito no coração da Bairrada...
Identificava-se como velho, cansado, gasto e agarrado às pantufas... Mas, na verdade, a sua alegria de viver e boa disposição desmentia-no com todas as letras... Era quase meu vizinho, amigo e cliente dos meus pais, mas conheci-o virtualmente através do seu blogue... Gabava-lhe a caligrafia cuidada... Já não se vê mais pessoas com essa qualidade... Sempre me incentivou e motivou no meu percurso, facto pelo qual apenas posso estar grata... Faleceu ontem...
Senhor Acácio, onde quer que esteja, saiba que irá permanecer sempre na memória das pessoas que o conheceram... Descanse em paz...

Sexta-feira, Setembro 21, 2007

Ponto de vista do dia...

Um corvo podia ser muitas coisas – criador, traiçoeiro – dependendo da forma que lhe apetecesse tomar. Mas quando descrevia um meio círculo e se voltava de cabeça para baixo, isso só podia significar uma coisa: estava a largar a sorte do seu dorso – poderia ser de qualquer um, bastava ver onde caía. Jodi Picoult in O décimo círculo

Quinta-feira, Setembro 20, 2007

Ponto de vista do dia...

O facto de escolhermos abandonar um lugar não significa que consigamos fugir sem o levar connosco. Um homem e uma mulher que vivam juntos o tempo suficiente podem trocar características, podem até encontrar partes de si próprios no outro. Se nos livrarmos de uma personalidade podemos descobrir que esta se instalou no coração da pessoa que mais amamos. Jodi Picoult in O décimo círculo

Quarta-feira, Setembro 19, 2007

Ponto de vista do dia...

A vida pode assumir diversas formas enquanto combatemos os nossos demónios. Mas se mudarmos ao mesmo ritmo que a pessoa que está ao nosso lado, nada mais importa. Tornamo-nos na constante do outro. Jodi Picoult in O décimo círculo

Terça-feira, Setembro 18, 2007

Ponto de vista do dia...

Quando um esquimó Yup'ik conhecia outra pessoa, desviava o olhar. Não era falta de respeito, muito pelo contrário. A vista deve ser guardada para os momentos em que precisamos realmente dela – quando estamos a caçar, quando precisamos de força. Só quando desviamos o olhar de uma pessoa é que temos a visão mais verdadeira. Jodi Picoult in O décimo círculo

Segunda-feira, Setembro 17, 2007

Ponto de vista do dia...

A semântica pouco importava quando sangrávamos entre as pernas, quando nos sentíamos como se nos tivessem quebrado de dentro para fora, quando nos tinham privado da liberdade de escolha. Jodi Picoult in O décimo círculo

Domingo, Setembro 16, 2007

Ponto de vista do dia...

Como é que dizemos a alguém que não somos a pessoa que pensa? E o mais importante, como lhe dizemos que tínhamos sido sinceros, quando tudo à nossa volta afinal era mentira? Jodi Picoult in O décimo círculo

Sábado, Setembro 15, 2007

Ponto de vista do dia...

E ele compreendeu, porque ele próprio o tinha sentido: por vezes, os nossos desejos tornam-se mesmo realidade. E por vezes, isso é a pior coisa que pode acontecer. Jodi Picoult in O décimo círculo

Sexta-feira, Setembro 14, 2007

Ponto de vista do dia...

Não era uma coincidência que o medo pudesse levar uma pessoa a extremos, tão facilmente como o amor. São os gémeos siameses da emoção: se não sabíamos o que poderíamos perder, não tínhamos nada por que lutar. Jodi Picoult in O décimo círculo

Quinta-feira, Setembro 13, 2007

Ponto de vista do dia...

Mas descobriu que apesar de tudo o que tinha acontecido, ainda tinha capacidade de fingir, de pensar que o seu futuro pudesse ser algo que nunca seria realmente. Jodi Picoult in O décimo círculo

Quarta-feira, Setembro 12, 2007

Ponto de vista do dia...

As pessoas movimentam-se demasiado depressa e falam de mais, e, quando damos por isso, voltam a correr para o lugar onde não querem estar, só que agora já não há sítio para fugir. Jodi Picoult in O décimo círculo

Terça-feira, Setembro 11, 2007

Ponto de vista do dia...

Não é o que não sabemos acerca das pessoas que amamos que nos choca; é o que não queremos admitir sobre nós próprios. Jodi Picoult in O décimo círculo

Segunda-feira, Setembro 10, 2007

Ponto de vista do dia...

(…) como se a vida fosse algo que se deitasse para dentro de um corpo, um recipiente que pudesse conter apenas uma determinada quantidade antes que as memórias flutuassem pelas janelas da consciência. Jodi Picoult in O décimo círculo

Domingo, Setembro 09, 2007

Ponto de vista do dia...

Talvez fosse preciso apercebermo-nos de que podíamos morrer para que deixássemos de o desejar. Jodi Picoult in O décimo círculo

Sábado, Setembro 08, 2007

Ponto de vista do dia...

- Porque é que achas que temos de falar para dizer alguma coisa? Jodi Picoult in O décimo círculo

Sexta-feira, Setembro 07, 2007

Ponto de vista do dia...

Ambos sabiam que os ciúmes podiam subir como uma maré, apagando os acontecimentos que tinham sido gravados na costa da nossa memória. Jodi Picoult in O décimo círculo

Quarta-feira, Setembro 05, 2007

Ponto de vista do dia...

Interrogou-se sobre qual seria o verdadeiro tamanho do mundo quando o atravessávamos, em vez de o percorrermos com um dedo no mapa. Jodi Picoult in O décimo círculo

Terça-feira, Setembro 04, 2007

Ponto de vista do dia...

(…) apercebeu-se de que havia um pecado que Dante não tinha contemplado, que merecia estar no mais profundo dos infernos. Se o pior pecado de todos era trair os outros, então e as pessoas que mentiam a si próprias? Jodi Picoult in O décimo círculo

Segunda-feira, Setembro 03, 2007

Ponto de vista do dia...

A tecnologia ajuda-nos a ser mais criativos na maneira como pecamos, mas isso não significa que o próprio pecado seja diferente. Jodi Picoult in O décimo círculo

Domingo, Setembro 02, 2007

Ponto de vista do dia...

Talvez a vida fosse apenas uma sucessão de lugares onde nos surpreendíamos a nós próprios continuamente. Jodi Picoult in O décimo círculo

Sábado, Setembro 01, 2007

Ponto de vista do dia...

Talvez as melhores decisões num casamento se baseassem não na sinceridade mas no número de baixas que a verdade podia causar, comparado com o número de salvamentos da ignorância. Jodi Picoult in O décimo círculo

Sexta-feira, Agosto 24, 2007

Finalmente, de volta...

Mas
haverá melhor porto
do que a chama
que nos aquece o peito
ao olharmos
com o abandono do sonho
as águas deste mar
de todos nós?

Quinta-feira, Abril 19, 2007

Azul...

Encontrei este blog e encantei-me por este post e adoptei o seguinte poema de Mário de Sá-Carneiro entitulado Quase:

Um pouco mais de sol – eu era brasa,
Um pouco mais de azul – eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho – ó dor! – quase vivido...

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entretanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo... e tudo errou...
— Ai a dor de ser — quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol — vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

Um pouco mais de sol — e fora brasa,
Um pouco mais de azul — e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Segunda-feira, Outubro 16, 2006

Ponto de vista do dia...

- Deus está no centro. Aí onde não há forma alguma, enm som, nem movimento. Quando ficares enjoada, senta-te, deixa de ter mexer, fica em silêncio e encontrarás nosso senhor, aí, no teu centro invisível, naquele que te une a ele. Somos como as contas do colar da criação e estamos unidos uns aos outros, cada um ocupando o lugar e o espaço que lhe corresponde. Quando alguém "puxa" para um lado mais do que a conta, altera toda a ordem dos céus e o céu abre-se, a terra abre-se. Quando alguém se separa, já não irá cair onde deveria cair, já não andará onde deveria andar, já não irá morrer onde deveria morrer porque o seu laço se quebrou, porque tudo faz parte do todo e tudo se repercute no todo. E por isso deus se entristece quando não o vemos, quando não o conhecemos, quando passamos a vida de costas voltadas para ele. in Malinche - Laura Esquivel

Domingo, Outubro 15, 2006

Ponto de vista do dia...

- E onde está deus? Como posso vê-lo? - perguntou a menina.
- Ver o que é invisível é complicado, mas deus sabe que aquele por quem se vive está no ar que respiramos, em cada gota de água, em cada corpo, em cada pedra, em cada planta, em cada animal, em todas as formas da sua criação. No centro, no invisível de todos eles, é aí que se encontra. in Malinche - Laura Esquivel

Sábado, Outubro 14, 2006

Ponto de vista do dia...

Um corpo imóvel limita-se a si próprio, um corpo em movimento expande-se, torna-se parte do todo, mas é preciso saber andar com ligeireza, sem cargas pesadas. Andar enche-nos de energia e transforma-nos para podermos ver o segredo das coisas. Andar transforma-nos em borboletas que se elevam e vêe realmente o mundo tal como é. A vida tal como é. O nosso corpo tal como é. É a eternidade da consciência. É a compreensão de todas as coisas. Isso é deus em nós mas, se quiseres, podes ficar sentada e transformar-te em pedra. in Malinche - Laura Esquivel

Sexta-feira, Outubro 13, 2006

Ponto de vista do dia...

- A vida oferece-nos sempre duas possibilidades: o dia e a noite; a águia ou a serpente; a construção ou a destruição; o castigo ou o perdão. Mas há sempre uma terceira possibilidade oculta que unifica as duas, descobre-a. in Malinche - Laura Esquivel

Quinta-feira, Outubro 12, 2006

Ponto de vista do dia...

A saliva é água sagrada que o coração cria. A saliva não deve gastar-se em palavras inúteis porque então estaremos a desperdiçar a água dos deuses e olha, vou dizer-te uma coisa que não deves esquecer: se as palavras não servirem para humedecer nos outros a lembrança e conseguir que aí floresça a memória de deus, não servem para nada. in Malinche - Laura Esquivel

Quarta-feira, Outubro 11, 2006

Ponto de vista do dia...

Presenciar o mistério da vida era suficientemente impressionante para evitar pensar na morte, em qualquer uma das suas manifestações: o abandono, a perda, o desaparecimento. in Malinche - Laura Esquivel

Terça-feira, Outubro 10, 2006

Ponto de vista do dia...

No meio das tempestades, os peixes não procuram fugir do oceano. São mais sábios. Mergulham nas profundezas. in O desejado - Aydano Roriz

Segunda-feira, Outubro 09, 2006

Ponto de vista do dia...

É o destino da beleza que tem a respiração imperceptível de uma flor que morre. Todas as coisas belas acabam. in Uma chuva de diamantes - Sveva Casati Modignani

Domingo, Outubro 08, 2006

Ponto de vista do dia...

E a previsibilidade, toda a gente sabe, tira o sabor de qualquer paixão. E que não venham confundir amor com paixão. Paixão é como essas ervas do campo, que explodem em flor em épocas sazonais. Pela vitalidade e variação de tons, tornam-se inebriantes. Pena que definham e morrem à primeira estiagem. O amor não. O amor é como uma árvore frondosa, de semente difícil de vingar. Cresce aos poucos, mas com raízes profundas. E tão fundo vão as raízes que, ainda que a parte visível seja abatida, costuma voltar a brotar. Não é caso para dizer que o amor sejam bom e a paixão má. No jardim do bem-querer, os dois sentimentos são igualmente bem-vindos. Não raro, conseguem até complementar-se. A diferença é que o amor, a exemplo da árvore frondosa, é muitíssimo mais forte. Dura muito mais. in O fundador - Aydano Roriz

Quarta-feira, Abril 19, 2006

Ponto de vista do dia...

"O pior que pode suceder a uma colectividade nacional é deixar-se embalar pelas suas grandezas e perder a memória das suas misérias." Vital Moreira in http://www.causa-nossa.blogspot.com/

Terça-feira, Abril 11, 2006

No meu regresso à praia encontrei este texto...

"A vida, qual barquinho a navegar, é uma coisa estranha e ao mesmo tempo fantástica. Lá vamos nós no tal barquinho a seguir um rumo e de repente levanta-se um vento, mudam as marés e lá vamos nós na direcção oposta à que tínhamos quando zarpamos. Por vezes vamos ao sabor do vento, outras encalhamos, outras ainda pensamos que não somos marinheiros suficientemente bons para a maré que nos empurra, mas normalmente pensamos que somos exímios marinheiros e remamos contra a corrente, contra os ventos e vêmo-nos no meio da tormenta, naufragamos... Mas lá agarramos a bóia com todas as forças, subimos ao barquito, olhamos para as estrelas e continuamos a nossa viagem.Na maior parte da minha vida largo o porto com um destino preciso, mas a meio da viagem vejo-me a ir ao sabor do vento e sujeito às intempéries ou a remar contra a maré, mas tenho conseguido encontrar um porto de abrigo algumas vezes com o auxílio de alguns faróis que vou encontrando no caminho. E são estes faróis que na noite escura e chuvosa nos indicam o caminho que fazem a viagem valer a pena. Ao entrarmos naquela enseada sabemos que sem aquele raio de luz ninguém sobrevive sozinho no mar. A viagem continua!!"

Quarta-feira, Março 08, 2006

Ponto de vista do dia...

(Não é verdade que um raciocínio é um veículo descontrolado, correndo desenfreadamente de lugar em lugar, mais perigoso do que a minha própria carruagem descarrilada?) Anita Shreve in Tudo o que ele sempre quis

Ponto de vista do dia...

(Não é verdade que um raciocínio é um veículo descontrolado, correndo desenfreadamente de lugar em lugar, mais perigoso do que a minha própria carruagem descarrilada?) Anita Shreve in Tudo o que ele sempre quis

Terça-feira, Março 07, 2006

Ponto de vista do dia...

(Não posso, porém, deixar de me interrogar se não inventaremos o nosso próprio destino, se não trocaremos a nossa própria sorte, de acordo com as circunstâncias que vivemos. Até que ponto será o amor um truque da mente, um mero número de acrobacia verbal, para encaixar pessoas que se nos atravessam no caminho e que satisfazem as nossas necessidades num determinado momento? Nunca conheci a resposta a este enigma nem acho, aliás, possível determinar tal resposta pois, em qualquer dos casos, os efeitos físicos são igualmente profundos a ponto de turvar qualquer distinção entre o simplesmente conveniente e o verdadeiramente decretado.) Anita Shreve in Tudo o que ele sempre quis

Segunda-feira, Março 06, 2006

Ponto de vista do dia...

"Quando era um jovem aprendiz, as palavras do mestre pareciam-lhe sentimentais. Porque queres afinar um piano?, perguntava o velho. Porque tenho boas mãos e gsoto de música, tinha respondido o rapaz, suscitando risos no seu professor, É por isso? que mais?, replicou o rapaz. Mais? E o homem erguia um copo e sorria. Não sabes, perguntou, que em todos os pianos se esconde uma canção? O rapaz abanou a cabeça. Apenas a resmunguice de um velho, talvez, Mas, sabes, o movimento dos dedos de um pianista são puramente mecânicos, um vulgar conjunto de músculos e tendões que apenas conhecem algumas regras básicas de andamento e ritmo. Devemos afinar pianos, disse ele, para que coisas tão banais como músculos, tendões, teclas, arame e amdeira se possam transformar em música. e como se chama a canção que se esconde neste velho piano?, tinha perguntado o rapaz, apontando para um piano vertical poeirento. Canção, rasponde o homem, Não tem nome, Apenas Canção. E o rapaz tinha-se rido porque nunca tinha ouvido uma canção sem nome e o velho riu-se porque estava bêbado e feliz." Daniel Mason in O afinador de pianos
Dedicado ao único afinador de pianos que conheço: Daniel Pinheiro

Domingo, Março 05, 2006

Ponto de vista do dia...

"(...) ser necessário não era o mesmo que ser aceite." Daniel Mason in O afinador de pianos

Sábado, Março 04, 2006

Ponto de vista do dia...

"Branco. Como uma folha de papel limpa, como marfim por talhar, tudo é branco quando começa a história." Daniel Mason in O afinador de pianos

Sexta-feira, Março 03, 2006

Ponto de vista do dia...

"O contacto físico compensa a inépcia do discurso." Daniel Mason in O afinador de pianos

Quinta-feira, Março 02, 2006

Ponto de vista do dia...

"Edgar guarda tão poucos segredos que aqueles que guarda se transformam em mentiras." Daniel Mason in O afinador de pianos

Quarta-feira, Março 01, 2006

Ponto de vista do dia...

"Os talismãs mais potentes, ter-lhe-iam dito, são os herdados e com esses talismãs também se herda a sorte." Daniel Mason in O afinador de pianos

Terça-feira, Fevereiro 28, 2006

Ponto de vista do dia...

"As ilhas são diferentes. E quanto mais pequena for a ilha, masi isto é verdade. (...) Tantas contradições. E todas elas marchando juntas como manifestações embriagadas que ainda não perceberam que a principal causa de protesto são elas próprias. As ilhas são pioneiras, grupos dissidentes, descontentes, perixes fora de água, isolacionistas naturais. Como já disses, diferentes." Joanne Harris in A praia roubada

Segunda-feira, Fevereiro 27, 2006

Ponto de vista do dia...

"A casa é o lugar donde não se pode fugir, o lugar-íman para onde roda a bússula do coração." Joanne Harris in A praia roubada

Domingo, Fevereiro 26, 2006

Ponto de vista do dia...

"Tudo retorna. (...) A Sôfrega é tão paciente quanto voraz e para os que, como eu, não têm masi nenhuma âncora que nos prenda, o regresso parece inevitável." Joanne Harris in A praia roubada

Sábado, Fevereiro 25, 2006

Ponto de vista do dia...

"Nada é seguro quando se vive numa ilha. tudo muda. Nada está ancorado. A casa, o lugar onde tudo retorna: mensagens em garrafas, barcos de brinquedo, trazidas pelas águas. tudo finalemnte restituído àquele areal desolado e inclemente, reduzido a polpa e enterrado nas dunas que avançam lentamente, tudo esquecido, tudo abandonado." Joanne Harris in A praia roubada

Ponto de vista do dia...

"A sorte é como um pêndulo que oscila lentamente durante décadas, trazendo o inevitável na sua sombra." Joanne Harris in A praia roubada

Sexta-feira, Fevereiro 24, 2006

Ponto de vista do dia...

"Ao fim e ao cabo, a areia não é uma metáfora da permanência. Tudo o que se escreve na areia evola-se num ápice e os castelos construídos com amor são arrasados. A areia é obstinada e evasiva. Consegue polir a rocha e tragar muralhas sob as dunas." Joanne Harris in A praia roubada

Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006

Ponto de vista do dia...

"Os desertores são recebidos de braços abertos mas com os bolsos fechados, dado que é sabido que aquilo que volta nem sempre fica." Joanne Harris in A praia roubada

Quarta-feira, Fevereiro 22, 2006

Ponto de vista do dia...

"Era sedutor: a ordem depois do caos. É um truque vulgar, esse encanto displicente; como o breve reflexo da luz do sol na água que capta o olhar, apenas por um instante, mas o suficiente às vezes para desviar a atenção, de forma fatal, dos rochedos à nossa frente." Joanne Harris in A praia roubada

Domingo, Fevereiro 12, 2006

Ponto de vista do dia...

"(...) sempre me andou dando tormento esta mesma questão sobre Deus e Alá, pois se um e Outro não querem mais que dar pena ou glória a todos os homens conforme seus merecimentos em vida, razões não sei quais possam ser as de um e Outro, que são de assim ditar leis tão diversas com igual propósito." Pedro Canais in A lenda de Martim Regos

Sexta-feira, Janeiro 13, 2006

Momento - Pedro Abrunhosa

Uma espécie de céu
Um pedaço de mar
Uma mão que doeu
Um dia devagar
Um Domingo perfeito
Uma toalha no chão
Um caminho cansado
Um traço de avião
Uma sombra sozinha
Uma luz inquieta
Um desvio na rua
Uma voz de poeta
Uma garrafa vazia
Um cinzeiro apagado
Um hotel na esquina
Um sono acordado
Um secreto adeus
Um café a fechar
Um aviso na porta
Um bilhete no ar
Uma praça aberta
Uma rua perdida
Uma noite encantada
Para o resto da vida
Pedes-me um momento!
Agarras as palavras!
Escondes-te no tempo
porque o tempo tem asas!
Levas a cidade solta no cabelo!
Perdes-te comigo...
porque o mundo é o momento!
Uma estrada infinita
Um anuncio discreto
Uma curva fechada
Um poema deserto
Uma cidade distante
Um vestido molhado
Uma chuva divina
Um desejo apertado
Uma noite esquecida
Uma praia qualquer
Um suspiro escondido
Numa pele de mulher
Um encontro em segredo
Uma duna ancorada
Dois corpos despidos
Abraçados no nada
Uma estrela cadente
Um olhar que se afasta
Um choro escondido
Quando um beijo não basta
Um semáforo aberto
Um adeus para sempre
Uma ferida que dói
Não por fora, por dentro

Domingo, Dezembro 25, 2005

Na terra dos sonhos - Jorge Palma

Andava eu sem ter onde cair vivo
Fui procurar abrigo nas frases estudadas do senhor doutor
Ai de mim não era nada daquilo que eu queria
Ninguém se compreendia e eu vi que a coisa ia de mal a pior
Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar
Andava eu sózinho a tremer de frio
Fui procurar calor e ternura nos braços de uma mulher
Mas esqueci-me de lhe dar também um pouco de atenção
E a minha solidão não me largou da mão nem um minuto sequer
Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar
Se queres ver o Mundo inteiro à tua altura
Tens de olhar para fora, sem esqueceres que dentro é que é o teu lugar
E se às duas por três vires que perdeste o balanço
Não penses em descanso, está ao teu alcance, tens de o reencontrar
Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar

Sábado, Dezembro 10, 2005

Ponto de vista do dia...

"(...) forçar o inimigo a bater-se em duas frentes. Quando um candidato possuía informações negativas acerca de um adversário, optava muitas vezes por esperar, até obter uma segunda informação, tornando ambas públicas num mesmo momento. Um ataque duplo era sempre mais eficaz que uma única investida, sobretudo quando compreendia aspectos separados da sua campanha - o primeiro contra a sua política, o segundo contra o seu carácter. A refutação de um ataque político requeria lógica, enquanto a refutação de um ataque ao carácter exigia paixão; disputar ambas em simultâneo era um jogo de equilíbrio quase impossível." Dan Brown in A conspiração

Sexta-feira, Dezembro 09, 2005

Ponto de vista do dia...

"Quando um poderoso cai, os amigos querem que caia o mais baixo possível, esquecendo-se que, com ele, todos acabam por cair, um dia." José Braga Gonçalves in O Maçon de Viena

Quinta-feira, Dezembro 08, 2005

Ponto de vista do dia...

"Ora aí está uma maneira interessante de conhecer a história de um país", comentou o rabino com um sorriso, "Através das más decisões." "Pequenas causas, grandes efeitos", observou Tomás. José Rodrigues dos Santos in O Codex 632

Quarta-feira, Dezembro 07, 2005

A vida não chega...

Dois lírios sobre a mesa
Uma janela aberta sobre o mar
Trago em mim a certeza
De quem espera p'lo teu voltar

Um cheirinho a café
Fotografias caídas pelo chão
E no ar uma canção
Traz-me uma recordação

Tenho um poema escrito
Guardado num lugar perto do mar
Tenho o olhar no infinito
E suspiro devagar

O tempo aqui parou
Desde que te foste embora
Só a saudade ficou
Já não aguento tanta demora

Tenho tanto por dizer
Tanto por te contar
Que a vida não chega
Tenho o céu e tenho o mar
E tanto para te dar
Que a vida não chega

Tenho tanto por te dizer
Tanto por te contar
Que a vida não chega
Tenho o céu e tenho o mar
E sei que vou te amar
Para a eternidade...

Letra e Música: Viviane - Amores imperfeitos

Ponto de vista do dia...

"E dito isto que está dito, mais não digo, pois creio que mais não há para dizer." Pedro Canais in A Lenda de Martim Regos

Terça-feira, Dezembro 06, 2005

Ponto de vista do dia...

"E com quanto todos queiram em todas as coisas tudo fazer mui concertadamente e em grande preceito, o mais que tenho por certo é que na própria merda, em bem buscando, hão-de encontrar os homens causa de grande veneração." Pedro Canais in A Lenda de Martim Regos

Segunda-feira, Dezembro 05, 2005

Ponto de vista do dia...

"Diferenças não há ao nascer maiores que são estas. Porém, nascem as diferenças entre os homens ao correr de suas vidas, e nascidos que são das ditas diferenças entre si, todos querem então que suas diferenças sejam as mais certas coisas que há no mundo, fazendo então a guerra e matando e esfolando quanto podem (...)" Pedro Canais in A Lenda de Martim Regos

Domingo, Dezembro 04, 2005

Ponto de vista do dia...

"Que te lembre sempre a ti, que todo o saber é contrário à virtude." Pedro Canais in A lenda de Martim Regos

Sábado, Dezembro 03, 2005

Ponto de vista do dia...

"Somos a memória que temos e a responsabilidade que assumimos, sem memória não existimos, sem responsabilidade não mereceríamos existir." José Saramago in Folhas políticas

Sexta-feira, Dezembro 02, 2005

Ponto de vista do dia...

"Há pessoas que morrem e, com todo o respeito, não se perde nada com isso. Mas ele era uma daquelas pessoas que, quando deixam de estar presentes, se sente. Como se o mundo inteiro se tornasse, de um dia para o outro, um pouco mais pesado. Se calhar este plante, e tudo o mais, aguenta-se no ar só porque existem muitos Bartleboom, pelo mundo, que se encarregam de o manter suspenso. Com a sua leveza. Sem terem rosto de heróis, no entanto, seguram o barco. São feitos assim." Alessandro Baricca in Oceano mar

Quinta-feira, Dezembro 01, 2005

Ponto de vista do dia...

"Diz que escrever a alguém é a única forma de esperar sem se magorar." Alessandro Baricca in Oceano mar

Quarta-feira, Novembro 30, 2005

Ponto de vista do dia...

"Aquilo que eu sou, já aconteceu: e aqui, e agora, vive em mim como um passo numa pegada, como um som num eco, e como um enigma na sua resposta. Não morre, isso não. Desliza para o outro lado da vida. Com uma leveza que parece uma dança. É uma forma de tudo perder, para tudo encontrar." Alessandro Baricca in Oceano Mar

Terça-feira, Novembro 29, 2005

Ponto de vista do dia...

"Este é um lugar onde nos despedimos de nós próprios. O que somos, desliza sobre nós, aos poucos. E deixamo-lo para trás, passo após passo, nesta costa que não conhece tempo e vive um único dia, sempre o mesmo. O presente desaparece e nós tornamo-nos memória. Despimo-nos de tudo, medos, sentimentos, desejos - guardamo-los, como vestido velhos, no roupeiro de uma sabedoria desconhecida, e de uma paz inesperada." Alessandro Baricca in Oceano Mar

Segunda-feira, Novembro 28, 2005

Ponto de vista do dia...

"Amei-te porque o desejo de ti era mais forte do que qualquer felicidade. E sabia que afinal a vida não é bastante grande para manter unida tudo aquilo que o desejo consegue imaginar." Alessandro Baricca in Oceano Mar

Domingo, Novembro 27, 2005

Ponto de vista do dia...

"Como vedes, não é que eu não tenha as ideias claras, tenho-as muito claras mas apenas até certo ponto da questão. Sei perfeitamente qual é a pergunta. O que me falta é a resposta." Alessandro Baricca in Oceano Mar

Sábado, Novembro 26, 2005

Ponto de vista do dia...

"(...) aprendeu que de entre todas as vidas possíveis, é preciso ancorar-se a uma para poder contemplar, serenamente, todas as outras." Alessandro Baricca in Oceano Mar

Sexta-feira, Novembro 25, 2005

Ponto de vista do dia...

"(...) pois é sempre preciso semear atrás de si um pretexto para voltar, quando se parte. Nunca se sabe." Alessandro Baricca in Oceano Mar

Quinta-feira, Novembro 24, 2005

Ponto de vista do dia...

"(...) quem diria que ao beijar os olhos de um homem se pudesse ver tão longe - que ao acariciar as pernas de uma rapariguinha se pudesse correr tão rápido e fugir - fugir de tudo - ver ao longe - vinham dos dois extremos mais afastados da vida, isso é espantoso, ao ponto de pensar que nunca se aflorariam, a não ser que atravessassem o universo inteiro, pelo contrário, nem tinham precisado de se procurar, isso é incrível, e o difícil fora apenas reconhecerem-se, reconhecerem-se, coisa de um instante, ao primeiro olhar já o sabiam, isso é maravilhoso - isso continuariam a contar, para sempre, nas terras de Carewall, para que ninguém se esqueça de que nunca estamos longe demais para nos encontrarmos, nunca - longe demais - para nos encontrarmos - estavam, aqueles dois, longe mais do que ninguém (...)" Alessandro Baricca in Oceano Mar

Quarta-feira, Novembro 23, 2005

Ponto de vista do dia...

"Sensação maravilhosa. De quando o destino finalmente se abre, e se torna caminho distinto, e pegada inequívoca, e direcção certa. O tempo interminável do aproximar. Aquele avizinhar-se. o desejo seria que nunca acabasse. O gesto de se entregar ao destino. Isso é uma emoção. Sem mais dilemas, sem mais mentiras. Saber onde. E alcançá-lo. Qualquer que seja, o destino." Alessandro Baricca in Oceano Mar

Ponto de vista do dia...

"Virou-se e lentamente voltou para trás. Já não havia vento, já não havia noite, já não havia mar, para ela. Andava, e sabia para onde ir. Apenas isso." Alessandro Baricca in Oceano Mar

Terça-feira, Novembro 22, 2005

Ponto de vista do dia...

"Foi isto que me ensinou o ventre do mar. Que quem viu a verdade ficará para sempre inconsolável. E que realmente salvo é apenas quem nunca esteve em perigo. (...) E aquilo que vimos ficará nos nossos olhos, aquilo que fizemos ficará nas nossas mãos, aquilo que sentimos ficará na nossa alma." Alessandro Baricca in Oceano Mar

Segunda-feira, Novembro 21, 2005

Ponto de vista do dia...

"Eu não sei. Se tivesse uma vida à minha frente - eu que estou prestes a morrer- passá-la-ia a contar esta história, sem nunca parar, mil vezes, para perceber o que significa que a verdade se concede apenas ao horror, e que para a alcançar tivemos que passar por este inferno, para a ver tivemos que nos destruir um ao outro, para a ter tivemos que nos tornar feras, para a desentacar tivemos que nos quebrar de dor. E para sermos verdaeiros tivemos que morrer. Porquê? Porque é que as coisas se tornam verdadeiras só nas garras do desespero? Quem foi que revirou o mundo de tal forma que a verdade tem que estar no lado escuro, e o inconfessável pântano de uma humanidade rejeitada é a única coisa a não ser mentira? E finalmente: que verdade é esta que cheira a cadáver, e nasce no sangue, se alimenta de dor, e vive onde o homem é humilhado, e triunfa onde o homem apodrece? É a verdade de quem? É uma verdade para nós?" Alessandro Baricca in Oceano Mar

Domingo, Novembro 20, 2005

Ponto de vista do dia...

"E pensava: eu não vou parar aqui. É até dentro do mar que quero chegar. Pois se houver algo verdadeiro neste mundo, está lá. (...) Vi infinitas coisas que da costa são invisíveis. Vi o que é realmente é o desejo, e o que é o medo. Vi homens a desfazerem-se e transformarem-se em crianças. E depois mudarem de novo e tornarem-se feras. Vi sonhar sonhos maravilhosos, e escutei as histórias mais bonitas da minha vida, contadas por homens comuns, um instante antes de se atirarem ao mar e desaparecerem para sempre. Li no céu sinais que não conhecia e fitei o horizonte com olhos que não pensava ter. O que é o ódio, a sério, percebio-o (...) E o que é piedade (...) Vi a ferocidade (...) vi a doçura (...) vi a inteligência (...) e vi a loucura, naqueles dois homens que um dia de manhã abriram asas e voaram para longe, no céu. (...) Levei anos a descer até ao fundo do ventre do mar: mas o que procurava, encontrei-o. As coisas verdadeiras. Até aquela, de todas, mais insuportável e atrozmente verdadeira. É um espelho, este mar. Aqui, no seu ventre, vi-me a mim próprio. Vi mesmo." Alessandro Baricca in Oceano Mar

Sábado, Novembro 19, 2005

Ponto de vista do dia...

"A única pessoa que realmente me ensinou alguma coisa, um velho que se chamava Darrell, dizia sempre que existem três tipos de homens: os que vivem diante do mar, os que se aventuram mar adentro, e os que do mar conseguem voltar, vivos. E dizia: vais ver que surpresa quando descobrires quais são os mais felizes." Alessandro Baricca in Oceano Mar

Sexta-feira, Novembro 18, 2005

Ponto de vista do dia...

"Não há inteligência e não há coragem que possam mudar um destino." Alessandro Baricca in Oceano Mar

Quinta-feira, Novembro 17, 2005

Ponto de vista do dia...

"Sabes o que é bonito, aqui? Repara: nós caminhamos, deixamos todas estas pegadas na areia, e elas ficam por aqui, precisas, ordenadas. Mas amanhã, vais levantar-te, vais olhar para esta grande praia e já não estará aqui nada, uma pegada, um sinal qualquer, nada. O mar apaga, à noite. a maré"

Quarta-feira, Novembro 16, 2005

Ponto de vista do dia...

Fonte
"O mar encanta, o mar mata, comove, assusta, faz até rir, às vezes, desaparece, de vez em quando, disfarça-se de lago, ou então constrói tempestades, devora navios, oferece riquezas, não dá respsotas, é sábio, é doce, é poderoso, é imprevisível. Mas acima de tudo: o mar chama." Alessandro Baricca in Oceano Mar

Terça-feira, Novembro 15, 2005

Ponto de vista do dia...

Fonte
"Sabes o que é bonito, aqui? Repara: nós caminhamos, deixamos todas estas pegadas na areia, e elas ficam aqui, precisas, ordenadas. Mas amanhã, vais levantar-te, vais olhar para esta grande praia e já não estará aqui nada, uma pegada, um sinal qualquer, nada. O mar apaga tudo, à noite. A maré esconde. É como se nós nunca tivéssemos existido. Se há um lugar, no mundo, onde podemos pensar que não somos nada, esse lugar é aqui. Já não é terra, ainda não é mar. Não é vida falsa, não é vida verdadeira. É tempo. Tempo que passa. Apenas isso. " Alessandro Baricca in Oceano Mar

Segunda-feira, Novembro 14, 2005

Ponto de vista do dia...

"Mas percebi tarde demais para que lado era preciso ir: para o lado dos desejos. Esperamos que sejam outras as coisas que nos salvam: o dever, a honestidade, sermos bons, sermos justos. Nada disso, são os desejos que nos salvam. são a única cosia verdadeira. Estando com eles, salvamo-nos. Mas era demasiado tarde quando eprcebi. Se lhe dermos tempo, a vida dá umas voltas estranhas, inexoráveis: então apercebemo-nos de ter chegado a um ponto tal que já não podemos desejar algo sem nos magoarmos. É então que tudo se baralha, não há maneira de escapar, quanto mais nos agitamos, mais a rede se embrulha, quanto mais nos revoltamos, mais nos ferimos." Alessandro Baricca in Oceano Mar

Domingo, Novembro 13, 2005

Ponto de vista do dia...

"Aliás a vida não corre bem como imaginamos. Segue o seu caminho. E nós o nosso. E não é o mesmo caminho. Assim..." Alessandro Baricca in Oceano Mar

Sábado, Novembro 12, 2005

Ponto de vista do dia...

"Não o apagamos, o mar, quando arde na noite." Alessandro Baricca in Oceano Mar

Sexta-feira, Novembro 11, 2005

Ponto de vista do dia...

"(...) irmãos os dois na implícita recusa do real e na escolha daquela fuga área, e unidos, naquele momento, pelo facto de serem imagens simultaneamente pousadas na retina e ans memórias de dois homens que já nada poderia separar e que, precisamente àqueles dois vôos, do insecto e do veleiro, confiavam no mesmo instante a mesma perturbação devida ao sabor áspero do fim e à descoberta desconcertante de como é silencioso o destino quando, de repente, explode." Alessandro Baricca in Oceano Mar

Quinta-feira, Novembro 10, 2005

Ponto de vista do dia...

"(...) todos contam aquela viagem. Cada um à sua maneira. Todos sem nunca a terem visto. Mas não importa. Nunca deixarão de a contar. Para que ninguém possa esquecer o quanto seria bom se, por cada mar que nos espera, houvesse um rio, para nós. E alguém - um pai, um amor, alguém - capaz de pegar na nossa mão e de encontrar esse rio - imaginá-lo, inventá-lo - e na sua corrente pousar-nos, com a leveza de uma única palavra, adeus. Sem dúvida, seria maravilhoso. Seria doce, a vida, qualquer vida. E as coisas não magoariam, mas aproximar-se-iam trazidas pela corrente, poder-se-ia primeiro aflorá-las depois tocá-las e só no fim deixar-se tocar. (...) Seria suficiente a fantasia de alguém - um pai, um amor, alguém. Ele saberia inventar um caminho, aqui, neste silêncio, nesta terra que não quer falar. Caminho clemente, e bonito. Um caminho daqui até ao mar." Alessandro Baricca in Oceano Mar

Quarta-feira, Novembro 09, 2005

Ponto de vista do dia...

Fonte
"Tudo podia acontecer, naquele instante. Sem dúvida existem momentos em que a omnipresente e lógica rede das sequências causais se rende, colhida de surpresa pela vida, e desce à plateia, misturando-se com o público, para deixar que no palco, sob as luzes de uma liberdade vertiginosa e súbita, uma mão invisível pesque no regaço infinito do possível e, por entre milhões de coisas, só deixe uma deixe acontecer." Alessandro Baricco in Oceano Mar

Terça-feira, Novembro 08, 2005

Ponto de vista do dia...

Fonte
"(...) acha que o clima do mar entorpece as paixões, e que a visão do mar estimula o sentido ético, e que a solidão do mar me levará a esquecer (...)" Alessandro Baricco in Oceano Mar

Segunda-feira, Novembro 07, 2005

Sempre que comprava alguma coisa, adorava fazer isto... Cliquem e vejam o quê...

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Ponto de vista do dia...

"O mar imenso, o oceano mar, que corre infinito para além de qualquer olhar, o imenso mar omnipotente - há um lugar onde acaba, e um instante - o imenso mar, um lugar muito pequeno e um instante de nada." Alessandro Baricco in Oceano Mar

Domingo, Novembro 06, 2005

Ponto de vista do dia...



"(...) a luz, a luz intensa, pode cegar; a sombra e a escuridão, pelo contrário, foram feitas para elevar ao extremo a capacidade de ver apurado o sentido da visão, nunca cegaram ninguém." Julieta Monginho in À tua espera

Sábado, Novembro 05, 2005

Ponto de vista do dia...

"Não há nada mais prejudicial a um casamento honesto e apaziguador do que recordações impartilháveis, seguidas de esperanças." Julieta Monginho in À tua espera

Sexta-feira, Novembro 04, 2005

Ponto de vista do dia...

"Sobre fins e princípios só à memória compete a decisão porque só ela, que reina sobre o tempo, os liga sem os confundir. O fim desta viagem será pois o princípio de outra rota, que seguirás recordando o que andaste até aqui chegar." Julieta Monginho in À tua espera

Quinta-feira, Novembro 03, 2005

Ponto de vista do dia...

"Porque era preciso esquecer e não esquecer ao mesmo tempo, agir sabendo que a memória conjugada no presente seria a única fonte de sobrevivência, enfrentar o passado para impedir que o futuro fosse sugado para dentro do seu abismo tentador." Julieta Monginho in À tua espera

Quarta-feira, Novembro 02, 2005

Ponto de vista do dia...

Fonte

"(...) é uma das vantagens de esperar com método, de organizar a esperança, aceitam-se melhor as revelações." Julieta Monginho in À tua espera

Terça-feira, Novembro 01, 2005

Dia de Todos os Santos...

Hoje a nossa memória cruza-se com a memória de todos os nossos antepassados... Hoje penso na minha avó e nos meus avôs, no meu tio, na minha prima, em alguns amigos e em tantos outros que já não estão connosco... Que descansem em paz...

Terramoto de 1755...

Foi há 250 anos... Principalmente afectou Lisboa, a capital...

Segunda-feira, Outubro 31, 2005

Ver para crer... E reflectir...

http://www.ekincaglar.com/coin/flash-pt.html

Ponto de vista do dia...

"Ninguém devia morrer, pelo menos antes de morrerem também os que amamos. Ninguém deveria ser subtraído assim a um abraço forte, é muito injusto não podermos dar um abraço quando sentimos a falta de qualquer coisa que nos restitua à dimensão de um círculo perfeito e um abraço ainda não chega. Porque a memória não se abraça, a memória é uma treta, uma grande treta, é por isso que temos que andar sempre a disfarçar, a fingir que não faz mal, a fingir que somos tão fortes que até somos capazes de inventar deuses mais fortes que nós, a fingir que imaginamos jogos e e mentiras que nunca seríamos capazes de enfrentar, porque a verdade, se algum sentido faz chamar-lhe assim, é que a nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer." Julieta Monginho in À tua espera

Domingo, Outubro 30, 2005

Ponto de vista do dia...

"De resto também eu já sofri algumas vezes os efeitos destas hesitações entre a reserva e a confiança, sem saber onde começa e acaba o excesso, porque não há rigor, uma linha concreta a separar duas vontades, dois desconhecimentos que se negam em múltiplos caminhos." Julieta Monginho in À tua espera

Sábado, Outubro 29, 2005

Ponto de vista do dia...

"Observar sem o perigo de ser visto encerra uma gama infinita de pequenos prazeres associado à prospecção da intimidade,mas não é esse o meu destino, observar." Julieta Monginho in À tua espera






Fonte

Sexta-feira, Outubro 28, 2005

Ponto de vista do dia...

"Medito sobre a diferença entre a dor de esperar o amor que se conhece e o desconhecido. Concluo que a primeira é ascendente, semelhante ao ar quente de verão, enquanto a outra se afunda comouma pedra fria num lago interior." Julieta Monginho in À tua espera

Quinta-feira, Outubro 27, 2005

Ponto de vista do dia...


"Disse todas as palavras do adeus mas não se despediu." Julieta Monginho in À tua espera

Quarta-feira, Outubro 26, 2005

Caminhos...

"Caminhante, são teus restos
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há-de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho
somente sulcos no ar."
Antonio Machado in Antologia Poética

Ponto de vista do dia...



"Tudo tem consequências nesta vida, mesmo algo tão simples como guardar um papel que nada nos diz. É assim a vida, estranha, cheia de surpresas e também de recompensas." Henrique Monteiro in Papel Pardo

Terça-feira, Outubro 25, 2005

Ponto de vista do dia...

"O problema é o do costume: há quem resista e quem não resista. Há fortes e fracos e esse probelma não se resolve mudando o regime ou a sociedade. Apenas os podes apoiar mais ou menos, não os podes modificar." Henrique Monteiro in Papel Pardo

Segunda-feira, Outubro 24, 2005

Ponto de vista do dia...



"Pois companheiros, como sabe, são os que que compartem o pão... e os segredos que o pão encerra. E olhe que o pão tem imensos segredos, não só o do corpo de Cristo, como ensinam na catequese e se diz na missa, como igualmente o segredo que cada um transporta nos seus recônditos. Porque é pelo pão que todos nós vivemos e assim como vivemos, somos. Uns gananciosos, outros, como eu gulosos, outros como tu, cuidadosos, e fechados, outros sovinas, ladrões ou irados. Pelo pão, sabemos com cada qual é, ou como cada qual gosta de se mostrar aos outros.
E, depois, de um pequeno silêncio, acrescentou: - Pelo pão e, já se vê, pelo vinho. Porque se aquele é o corpo, este é o sangue e pelo sangue se herda muita coisa, de manias a doenças, de feições a feitios. O sangue, Carlos, é muito importante. É pelo sangue que somos e pelo pão que continuamos a sê-lo pela vida fora. Não há como fugir-lhe. No pão e no vinho estão os dois maiores mistérios da vida." Henrique Monteiro in Papel Pardo

Sábado, Outubro 22, 2005

Ponto de vista do dia...

"Para afectos, era uma desgraça. E de que serve a inteligência, a que poderei chamar racional, se de emoções nada entendo? Por acaso, não vive a gente simples masi da emoção do que da razão? Um olhar, um gesto, um sorriso não valem mais do que o conhecimento livresco?E não é da percepção dos outros que nasce a esperteza, aquele sentido oportuno que mesmo gente iletrada tantas vezes tem e do qual me sinto totalmente falho?" Henrique Monteiro in Papel Pardo

Sexta-feira, Outubro 21, 2005

Ponto de vista do dia...

"A mim sempre me ensinaram a aceitar todos os convites; se são de boa vontade, é um gosto que fazemos a quem convida; se são de má vontade, é bem feito para quem os faz." Henrique Monteiro in Papel Pardo

Quinta-feira, Outubro 20, 2005

Ponto de vista do dia...














"(...) mas ao contrário do que se passava comigo, vivera toda a vida confinada à cidade. E a cidade é uma prisão. Não tem vistas largas, acaba por ser igual de todas as perspectivas. Só é deslumbramento ao primeiro olhar. Mas depois, depois é sempre igual. imutável, ao contrário da natureza, que é sempre diferente. Os campos aqui podem ser verdes ou brancos, com a neve ou a geada. Os pássaros mudam conforme as estações, como as árvores são diferentes revestidas ou nuas. Aqui tudo muda, para tudo ficar na mesma. Na cidade nada muda, mas tudo é sempre diferente." Henrique Monteiro in Papel Pardo

Quarta-feira, Outubro 19, 2005

Ponto de vista do dia...

"Mas os gatos não são demónios, pois não, pai? Não, claro que não, mas sabes, o cão é uma entidade dotada de qualidades humanas, que ele põe por amor e gratidão ao serviço do homem seu dono. O gato é uma entidade dotada de defeitos humanos e, por amor de si próprio, põe o homem seu dono ao serviço dele (gato)." Fernanda Botelho in As contadoras de histórias

Terça-feira, Outubro 18, 2005

Hoje é dia de...



FELIZ 87º ANIVERSÁRIO AVÓ!!!
MUITOS PARABÉNS...

Ponto de vista do dia...

"Não penso que seja absolutamente exigível, prar viver, que se ame e se seja amado. Dizem que viver sem amor é profundamente desolador. Há pois que amar e ser amado. Eu não penso assim, penso até que, in extremis, sobrevive-se facilemnte sem amor, é mais saudável, nada de amor, antes viver, viver como se, viver friamente sem amor, amando-nos a nós próprios, sem infidelidade ou traição, orgulhosamente selectivos e retribuídos.
De qualquer forma, mesmo, amando, amar-nos-ão aqueles que nós amamos? That's the question. Imagine-se o sofrimento empolado pelo desencanto." Fernanda Botelho in As contadoras de histórias

Segunda-feira, Outubro 17, 2005

Ponto de vista do dia...

"Contentemo-nos com o pouco, quando nos está vedado o muito." Fernanda Botelho in As contadoras de histórias

Domingo, Outubro 16, 2005

Ponto de vista do dia...

" - (...) que considera ou considerava que o amor é quase como o rótulo de um vinho. Óptimo, bom, nada mau. Só que óptimo, bom ou nada mau, o vinho evapora-se. Ao ar. Ou sulcando as nossas entranhas. Mas com o amor o negócio é outro. Com o vinho pode beber-se até à saciedade. sozinho. Na escuridão de qualquer bar. Mas amor mesmo, não. É preciso luz interior, palavras ditas, empenho, entrega e partilha. Ou não será assim? (...)
- Só que, ao contrário do que disseste, há uma pequena afinidade entre os dois. O amor e o vinho. Ambos inebriam. Nunca fui homem de bebedeiras nem de dar amor a ninguém a sério. Verdadeiramente. Realizo que pedia muito dando muito pouco em troca. Pelos vistos." Maria Roma in Nunca é de mais

Sábado, Outubro 15, 2005

Ponto de vista do dia...

"Encontrei em ti algo que procurava às cegas, como uma borboleta encandeada. Que vira tonta com a luz e que acaba por queimar as asas." Maria Roma in Nunca é de mais

Sexta-feira, Outubro 14, 2005

Para o reconhecimento da Língua Portuguesa a nível internacional...

Depois de ver a peça jornalística na rtp 1, procurei o referido sítio e assinei a petição... Assinem vocês também... Acho que é o mínimo que podemos fazer para que a FIFA e tantas outras organizações internacionais (não só a nível desportivo) reconheçam a importância da língua portuguesa...

Ponto de vista do dia...

"Uma tristeza sem fim invadiu-a. De facto, quando as desilusões vencem, tudo se torna difícil. Até os sonhos. Onde enquanto duram nos atordoamos. Num certo engodo. Sabendo porém que tudo se vai esfumar. Povoando-nos o acordar de incertezas. Deixando-nos só a pena de que algo com que eles nos acenaram não tivesse sido vivido. Não tivesse sido possível." Maria Roma in nunca é de mais

Quinta-feira, Outubro 13, 2005

Ponto de vista do dia...

"As linhas com que cada um se cose, às vezes são da côr que se escolhe. Mas nem sempre. É tudo tão complicado. Mesmo o que à partida parece simples." Maria Roma in Nunca é de mais

Quarta-feira, Outubro 12, 2005

Ponto de vista do dia...

"Que queres? Cada um, às vezes, tem a possibilidade de uma escolha. Nem todos ou porque não querem, não podem ou nem sequer lhes interessa!" Maria Roma in Nunca é de mais

Terça-feira, Outubro 11, 2005

Ponto de vista do dia...

"Só que a vida nem sempre corre à maneira do que se deseja, muito menos daquilo que se imagina." Maria Roma in Nunca é de mais

Segunda-feira, Outubro 10, 2005

Ponto de vista do dia...

"A conformação é isso (...) é aceitar os anos a correrem velozes e os dias lentos demais. Alguns carregados de desilusões." Maria Roma in De uma vez por todas

Domingo, Outubro 09, 2005

Ponto de vista do dia...

"Gente com passado comum. Que amarra outros seres com fios invisíveis. Que, às vezes, nem se sentem. Mas são mais do que suficientes. Para enrolar vidas e desfazer sonhos." Maria Roma in De uma vez por todas

Sábado, Outubro 08, 2005

Ponto de vista do dia...

"Erros só não cometem aqueles que não arriscam. Mas se acontecem, assumem-se." Maria Roma in De uma vez por todas

Sexta-feira, Outubro 07, 2005

Ponto de vista do dia...

"Segues o teu caminho, aquele que traçaste, aquele que te traçaram e, quando te aparecem desvios, espreita-lo, receias entrar nele, e por isso tocas-lhe ao de leve, mas acabas sempre por regressar ao trajecto inicial. Muitas vezes interrogas-te se seria melhor de outra forma,mas não chegas a ouvir as respostas porque tens medo delas. Ages, preferes agir, porque assim nem tens tempo apra pensar. Esqueces-te, porém, de que nesses desvios envolves outras pessoas que acabas por magoar. Esqueces-te, porém, de que os caminhos das outras pessoas acabam por se tornar sinuosos por causa do teu." Sofia Bragança Buchholz in De mãos dadas com a perfeição

Quinta-feira, Outubro 06, 2005

Ponto de vista do dia...

"E percebia então o contra-senso do amor... Quanto dói o amor, quanto amar faz sofrer e sofrer assim vale a pena. Porque nos sentimos vivos, apesar de pensarmos que não vamos sobreviver, porque vivemos a 200 à hora, apesar de os segundos custraem a passar; porque respiramos por todos os poros, apesar de o o ar mal nos chegar aos pulmões... O amor... Essa doença maldita que só atinge os afortunados!..." Sofia Bragança Buchholz in De mãos dadas com a perfeição

Quarta-feira, Outubro 05, 2005

Ponto de vista do dia...

"São tão grandes as distâncias na infância e tão longas as horas quando somos crianças... que nem nos passa pela cabeça como, num passe de mágica, eles se encurtam e aceleram, contra a nossa vontade, quando nos tornamos adultos." Sofia Bragança Buchholz in De mãos dadas com a perfeição
Cada vez mais me sinto assim... Como se o tempo passasse por mim e eu, estanque, no mesmo sítio, com as mesmas pessoas, a fazer as mesmas coisas... Sem conseguir reagir...

Terça-feira, Outubro 04, 2005

Ponto de vista do dia...

"Viajar é uma brutalidade. Força-nos a confiar em estranhos e a perder de vista todo o conforto familiar do lar e dos amigos. Fica-se em constante desequilíbrio. Nada nos pertence, excepto as coisas essenciais: ar, sono, sonhos, o mar, o céu - tudo coisas que tendem para o eterno ou para o que imaginámos como tal." Cesare Pavese

Segunda-feira, Outubro 03, 2005

Ponto de vista do dia...

"Porque fora mais forte a sua ambição do que o seu sossego? O hoemem era sempre assim: nunca se satisfazia com a sua situação, com o estado presente. Sempre ambicionaria um futuro e nele poria os olhos como numa miragem inalcançável..." Maria João da Câmara in Um príncipe quase perfeito

Domingo, Outubro 02, 2005

Ponto de vista do dia...

"Que suave ternura envolve tudo o que nos é querido, mais ainda se não está perto de nós!" Maria João da Câmara in Um príncipe quase perfeito

Sábado, Outubro 01, 2005

Ponto de vista do dia...

"Mas Deus faz-nos ver que o bem mais precioso que temos nem sempre é aquele que valorizamos, excepto quando o perdemos." Maria João da Câmara in Um príncipe quase perfeito

Terça-feira, Setembro 27, 2005

O meu ponto de vista do dia: hoje comemora-se o aniversário da Batalha do Buçaco aquando das Invasões Francesas em 27 de Setembro de 1810...

"O último fim-de-semana em Portugal fez questão de o ir passar ao Bussaco, um dos seus locais preferidos. "Quero levar o Bussaco nos olhos e na alma!" (...) ninguém o arrancou da varanda do hotel, onde passou duas manhãs e uma tarde a olhar obsessivamente para a mata, perdido em considerações filosóficas do género "junte-se-lhe uma mulher e um bom livro e tudo o que um homem precisa para ser feliz está aqui!". Em contrapartida e confirmando a sau tese, atirou-se ao menu do hotel com o apetite de um condenado, devorando tudo o que constava da lista e insistindo em terminar sempre com o leitão assado. Para grande deleite dos seus amigos, invocou a sua nova condição de rico sem destino que dar ao dinheiro e ofereceu as bebdias durante todo o fim-de-semana, indiferente aos preços que os melhores vinhos das célebres caves do Bussaco ostentavam." Miguel Sousa Tavares in Equador

Segunda-feira, Setembro 19, 2005

Ponto de vista do dia...

"Verdadeiramente, nunca conhecemos os nossos limites: o deserto é um revelador. (...) Esta noite, nesta noite de lua crescente sobre o oásis de Tharghit, sinto-me feliz, como em raras noite da minha vida. Nada mais desejo ou antecipo do que o prazer de poder dormir, como hoje oito horas numa cama com lençóis lavados e um jarro de água à cabeceira, e, todavia, sinto medo de adormecer. Sinto medo do dia de amanhã, de despertar e tudo ter desaparecido à medida que caminharmos para a fronteira com Marrocos e, lenta mas inexoravelmente, formos reentrando naquilo que é o mundo que chamamos "nosso". É como um despertar de um sonho e agora absurdamente eu queria que ele continuasse. Ainda não saí do deserto e já sinto esta ferida aberta para sempre. O temor de nunca mais me encontrar a mim mesmo no deserto, de nunca mais me achar como ao longo destes dias e destas noites, que aqui, o melhor, o mais fundo de mim, se revela." Miguel Sousa Tavares in Sul

Domingo, Setembro 18, 2005

Ponto de vista do dia...

"(...) certeza de que há alturas na vida em que não se pode passar ao lado de qualquer coisa de grandioso, porque nunca se sabe se haverá outra oportunidade." Miguel Sousa Tavares in Sul

Sábado, Setembro 17, 2005

Ponto de vista do dia...

"(...) és tu que deves dirigir a tua vida; não é a vida que te deve dirigir a ti." Miguel Sousa Tavares in Sul

Sexta-feira, Setembro 16, 2005

Ponto de vista do dia...

"(...) talvez para levar consigo e para sempre a lição de que, por maior que seja a grandeza dos homens e a riqueza das cidades, não há nada que a morte não sepulte." Miguel Sousa Tavares in Sul

Quinta-feira, Setembro 15, 2005

Ponto de vista do dia...

"Quando se encontra alguém igual a nós é sinal de morte." Miguel Sousa Tavares in Sul

Quarta-feira, Setembro 14, 2005

Ponto de vista do dia...

"É que como escreveu Axel Munthe, para rezar a Deus, qualquer lugar serve; mas, para tratar dos doentes, é preciso hospitais." Miguel Sousa Tavares in Sul

Terça-feira, Setembro 13, 2005

Ponto de vista do dia...

"E, devagar, releio uma frase que li, escrita numa placa incrustrada numa das entradas: " Mesmo que nada restasse senão os sonhos destes muros, a sua lembrança ficaria para sempre, indestrutível, num refúgio único do sonho e de arte."" Miguel Sousa Tavares in Sul

Segunda-feira, Setembro 12, 2005

Ponto de vista do dia...

"Extremada condição a dos homens: o que se ganha despreza-se, e o que se perde procura-se, com esta diferença: o adquirido dura tempo e o perdido em nenhum tempo se recobra." Maria João da Câmara in Um princípe quase perfeito

Domingo, Setembro 11, 2005

Ponto de vista do dia...

"Também se pode amar o que não se possui, também se pode servir o que deixou de ser nosso. O destino dos povos não é o de terem Império, mas o de terem memórias." Miguel Sousa Tavares in Sul

Sábado, Setembro 10, 2005

Ponto de vista do dia...

"Mas as situações delicadas semprese prestam a grandes desabafos, muitas vezes únicos." Maria João da Câmara in Um príncipe quase perfeito

Sexta-feira, Setembro 09, 2005

Ponto de vista do dia...

"E interrogamo-nos, então, que sentido fará este desejo de nos perpetuarem de alguma forma nos cantos do mundo aonde a História nos levou e de onde a História nos varreu." Margarida Pedrosa in Só ao bispo me confesso

Quinta-feira, Setembro 08, 2005

Ponto de vista do dia...

"Primeiro equívoco e erro meu: não se encontra o que se busca, mas o que se encontra." Margarida Pedrosa in Só ao bispo me confesso

Quarta-feira, Setembro 07, 2005

Ponto de vista do dia...

"Enfim, uma carta de um hoeme que morreu depois de a escrever, para outro que morreu antes de a ler. Considerando o facto de terem morrido tão próximos no tempo, quem sabe talvez se encontrem lá em cima e se possam explicar um ao outro." Miguel Sousa Tavares in Equador

Terça-feira, Setembro 06, 2005

Ponto de vista do dia...

"Um amigo é alguém de cuja presença se gosta, por quem se tem admiração, em cuja companhia se aprende. Luís Bernardo admirava tudo em David: a sua capacidade de tirar sempre partido de qualquer situação, o prazer com que vivia a vida e tudo o que viesse, a calma e a determinação com que encaixava os golpes do destino e lhes fazia frente, a simplicidade linear do seu código moral de conduta, a sua absoluta ausência de angúsita face ao esboroar do tempo, porque ele desconhecia-lhe em absoluto a noção de tempo perdido e cada dia era para ele uma dádiva, que nenhum desgosot e nenhum revés poderiam toldar." Miguel Sousa Tavares in Equador

Segunda-feira, Setembro 05, 2005

Ponto de vista do dia...

"Agora, que tudo parecia aproximar-se do fim, ele compreendeu pela primeira vez o que sempre lhe parecera incompreensível: o apego de tantos homens brancos a África, aquela ligação desesperada e quase doentia que prendera tantos para sempre àquelas ilhas, de que só pensavam partir, mas de que verdadeiramente não conseguiam desprender-se." Miguel Sousa Tavares in Equador

Domingo, Setembro 04, 2005

Ponto de vista do dia...

"Por isso te disse, também, que terás de ser tu a lutar por mim, embora eu não te saiba a aconselhar como nem sequer garantir-te que, no final, eu tomarei um barco, mesmo que o último, contigo. Sei que nada disto te ajuda, te dá essa esperança de que tu precisas para saber se vale a pena lutar por mim, mas acredita que é o reflexo da minha própria confusão, de mistura de sentimentos e do desnorte em que vivo e em que, se calhar, me hei-de perder e tudo hei-de perder." Miguel Sousa Tavares in Equador

Sábado, Setembro 03, 2005

Ponto de vista do dia...

"Que descansem em paz os que pelo sonho viveram, pelo sonho mataram e pelo sonho morreram. Deixaram casas e ruínas (...)" Miguel Sousa Tavares in Sul

Sexta-feira, Setembro 02, 2005

Ponto de vista do dia...

"O meu fascínio consiste apenas em ver (...) Não tento compreender, menos ainda, julgar (...) Porque eles estão mortos e, eu estou ainda vivo, sem dúvida. Mas também porque é uma insuportável arrogância moral julgar a História. Com a vantagem do tempo." Miguel Sousa Tavares in Sul

Quinta-feira, Setembro 01, 2005

Adoro o cheiro da relva acabada de cortar...

Ponto de vista do dia...

"Sempre tive um fascínio pelas casa em ruínas. Pelas casas e pelos reinos - Pelos sinais desvastadores do tempo, pelo mato que engole qualquer verdade que tinhamos como certa. Nem sei mesmo se será lícito mexer nas ruínas, tentar voltar a erguer o que o tempo e as vicissitudes derrubaram." Miguel Sousa Tavares in Sul

Quarta-feira, Agosto 31, 2005

Lados errados (da margem) - Toranja...

Fonte
Largaram-me a mil metros do chão
Largaram-me porque me agarrei
numa alucinação de vida
que me enchia o coração
e que agora vejo perdida
num cair que já não sei...

Largaram-me a mil metros do chão
Reparo o sol que se afasta no ar
Rasgo caminho onde o vento dormia
Adormeço sentidos no meu furacão
enquanto o sol anuncia o dia
sinto o meu corpo, desamparado, a deslizar...
Perdi-te do lado errado do coração
Perdi-te do lado errado do coração
Mas és tu o meu chão...
és tu o meu chão
és tu o meu chão

Enquanto caía a terra rachou
e eu via a queda ainda mais funda
Ao meu lado passava tudo o que passei
comigo a miragem que nada mudou
do voo rasante que nem começou
do tempo apressado que nem reparei
Sinto os meus gestos flutuar, devagar
no último segredo antes do ódio
À minha frente um filme de aves sem voz
e quando as ouvi resolvi gostar
Quando as senti fiquei a amar
ter tentado subir ao cimo de nós

Amei-te do lado errado do coração
Amei-te do lado errado do coração
Mas és tu o meu chão
és tu o meu chão...
és tu o meu chão
Não sei ao que chamam lados do coração
Não sei ao que chamam lados do coração...
Mas és tu o meu chão...
és tu o meu chão...
és tu o meu chão...
és tu o meu chão...

Ponto de vista do dia...

"Porque levámos connosco as pedras e os arabescos, as varandas e os terraços, a telha vã e os soalhos de tabuinhas e só trouxemos connosco fina flor de ouro à tona da água e a nostalgia sem remédio das palmeiras?" Miguel Sousa Tavares in Sul

Terça-feira, Agosto 30, 2005

Ponto de vista do dia...

"Com efeito declaro que haverão sempre infelizes, mas que é possível deixar de haver miseráveis." Victor Hugo

Segunda-feira, Agosto 29, 2005

Ponto de vista do dia...

"... como é mau estar longe e saber que se deve estar perto..." Aqui

Domingo, Agosto 28, 2005

Ao fim do dia...

Ponto de vista do dia...

"Eu sou um contador de histórias. Pagam-me para isso, pagam-me para percorrer o mundo e contar o que vi. Umas vezes vi tragédias, miséria, coisas que magoava descrever. Outras vezes, vi sonhos, esperanças, histórias felizes (...) Fiz o que pude para justificar o privilégio que tive. Trouxe comigo o que podia partilhar com os outros: filmes, fotografias, relatos, mapas, instruções de viagem. Certas coisas não pude dividir nem contar, porque eram impartilháveis: os cheiros, o sabor da comida, a poeira e o cansaço acumulados, essa desesperada nostalgia depois de cada regresso. Outras coisas ainda deixei lá, porque não podia trazer: são coisas que viajam comigo para sempre e cuja memória há-de morrer comigo - os amigos que encontrei e nunca masi vi, os espaços, os silêncios, as estrelas no céu e outras coisas como o medo, a alegria, a solidão, a descoberta." Miguel Sousa Tavares in Sul

Sábado, Agosto 27, 2005

Ponto de vista do dia...

"Ah, como eu idolatro a insensatez, a rebeldia, o colorido. Que, num grupo de pessoas, alguns se distingam pelas cores, que brilhem teimosamente, no cinzento baço dos outros, é maravilhoso, é como se esse alguém tivesse sido moldado num outro barro por mãos de mestre. Sempre que tenho o privilégio de conhecer alguém assim, fico emocionada e grata. Pelo menos, mais crente na humanidade ou no que para mim significa estar vivo; por este homem ou mulher, é urgente viver a vida, que passa a correr, vivê-la, vivê-la sem medo, sem medo dos outros, sem medo das palavras, sem medo da própria sombra. Vivê-la religiosa e estritamente no sentido de ser verdadeiramente fiel a si mesmo, aos seus desejos e impulsos. Vivê-la sensualmente, longe de juízos, do dilacerante faz de conta, das culpas e consequente punições." Isabel Ramos in Está uma noite quente de Verão
Procura-se quem corresponda a esta descrição... Por favor, contacte com a gerência deste blog... ;)

Sexta-feira, Agosto 26, 2005

Ponto de vista do dia...

"Às vezes, quando se é amigo, é melhor fingir que não se vê aquilo que não deve ser visto, por masi que isso nos custe. Em nome de amizade ou em nome de outras coisas mais difíceis de explicar. Mas cabe aso soutros entender que estamso apenas a fingir que não vemos." Miguel Sousa Tavares in Equador

Quinta-feira, Agosto 25, 2005

Ponto de vista do dia...

"Olhou-se ao espelho de pé alto, olhou-se assim de cima a baixo e viu-se tal como estava, nu, abandonado, vagueante, não sabia se vencido de algum mal obscuro, se vencedor de que obscura causa." Miguel Sousa Tavares in Equador

Quarta-feira, Agosto 24, 2005

Ponto de vista do dia...

"Era como se não houvesse tempo a perder, como se tudo devesse ser jogado em cada cartada, em cada aposta, em cada brecha que os outros abriam: tinha pressa de viver, de forçar as cosias a acontecer, em lugar de ficar à espera que a fortuna lhe batesse à porta." Miguel Sousa Tavares in Equador

Terça-feira, Agosto 23, 2005

Ponto de vista do dia...

"Mas, porque não tenho com quem falar e te queria dar conta "a quente", do que primeiro que tudo senti ao desembarcar neste degredo, envio-te estas breves linhas, onde notarás que nada de irremediável ainda aconteceu e que não estou nem deslumbrado nem devastado. Olho, escuto, cheiro: como se tivesse acabado de chegar ao mundo." Miguel Sousa Tavares in Equador

Segunda-feira, Agosto 22, 2005

Ponto de vista do dia...

"Para todos os que me possam encontrar e em especial para Inês de Toledo, que amei, deixo esta mensagem e esta oração. A mensagem é que todos os caminhos da vida me ensinaram uma grande verdade: encontrei o que todos procuram e o que poucos encontram. Encontrei aquela pessoa por quem nasci, a pessoa que amei e quis amar, para sempre. Uma pessoa como eu, dos verdes campos daquela península envolta pelo misterioso Atlântico azul. uma pessoa que reúne os tesouros mais simples da terra, uma pessoa que cresceu sozinha e que lutou apra ser quem é. Finalmente, nos longos caminhos da terra e da vida, consegui ecnontrá-la. Para mim, tonrou-se no porto seguro onde eu me sentiria para sempre em casa. Nem ventos nem tempestades poderão destruir a paz que existe entre nós. Mesmo ausente estaremos felizes, eu estarei em cada um dos seus gestos, eu estarei em cada um dos seus sorrisos. A oração é para quem todos encontrem este amor. com ele serão curados de todo o ódio, e assim o mundo viverá em paz." Margarida Pedrosa in Só ao bispo me confesso

Domingo, Agosto 21, 2005

Pontro de vista do dia...

"As guerras a frio são mais difíceis de lidar do que as guerras sangrentas. Nestas sabe-se quem é o inimigo, a agressão materializa-se, ganham forma e corpo, e os golpes não se lançam no vazio... Nas contendas do silêncio o inimigo não tem rosto e a dúvida nasce na mais pequena brisa que se eleva nos ares..." Margarida Pedrosa in Só ao bispo me confesso

Sábado, Agosto 20, 2005

Ponto de vista do dia...

" (...) neste mundo há forças que desconhecemos, nem tudo o que é visível é real e nem tudo o que é invisível é irreal." Margarida Pedrosa in Só ao bispo me confesso

Sexta-feira, Agosto 19, 2005

Primeira semana...

Eis que terminou a minha primeira semana de estágio na Câmara Municipal... Envolvida com processos de contra-ordenação de vária ordem, pedidos de licenças e alvarás... Enfim, um mundo de burocracia administrativa... Cada vez mais tenho a impressão que não é possível produzir qualquer comentário a respeito da Administração Pública, sem primeiro ter conhecimento de causa... Embora, reconheça e faça votos para que o funcionamento das instituições se torne muito mais eficiente...

Ponto de vista do dia...

" (...) se a experiência é mãe do conhecimento, o silêncio é o pai do negócio." Margarida Pedrosa in Só ao bispo me confesso

Quinta-feira, Agosto 18, 2005

Ponto de vista do dia...

"Como as medem a força de uma nação, as artes e as letras medem o seu refinamento." Margarida Pedrosa in Só ao bispo me confesso

Quarta-feira, Agosto 17, 2005

Ponto de vista do dia...

"Para a morte não há lugares ou distância, há só o momento certo, simplesmente." Margarida Pedrosa in Só ao bispo me confesso

Terça-feira, Agosto 16, 2005

Ponto de vista do dia...

"O mar que nos levou tinha a tonalidade de um azul tão diferente daquele mar que anos antes me levara (...) O azul de então estava enegrecido pelo desgosto, o azul de agora estava iluminado, com as tonalidades da esperança." Margarida Pedrosa in Só ao bispo me confesso

Segunda-feira, Agosto 15, 2005

Ponto de vista do dia...

" (...) acreditava que nas vidas havia momentos de viragem que eram agarrados a tempo, e a vida saía vitoriosa, ou esquecidos, e estaria perdida para sempre." Margarida Pedrosa in Só ao bispo me confesso

Domingo, Agosto 14, 2005

Ponto de vista do dia...

"As grandes linhas do destino foram traçadas ao de leve por aqueles que me criaram e marcadas definitivamente pelas minhas escolhas. Esse, sim, é o destino emq ue acredito: a construção dia após dia." Margarida Pedrosa in Só ao bispo me confesso

Sábado, Agosto 13, 2005

1º Aniversário...



Pois é, meus amigos, acreditem ou não, este meu cantinho faz hoje um ano... Começado a muito custo, com muita inexperiência à mistura, a um ritmo de velocidade muito reduzido, cá estamos para contar quase mil visitas... Eu sei que realmente não é muito... Mas tendo em conta as circunstâncias, estou deveras contente com o resultado final... Só espero que continue assim e festeje muitos mais aniversários... Que a perenidade seja sinal de qualidade... Muito obrigada a todos os que tiveram coragem de perder um pouquinho do seu tempo e dar umas vistas de olhos, eventualmente, deixando um ou outro comentário... Mais uma vez, obrigada e voltem sempre... Serão sempre bem recebidos...

Ponto de vista do dia...

"Este homem tão inteligente e culto ensinou-me coisas que jamias esquecerei. Explicou-me que cada homem tem um destino a cumprir e que esse destino não está escrito nem traçado ao mais ínfimo pormenor, como tantos acreditam. Cada um tem uma tarefa a cumprir, mas também nos é dada a possibilidade de não a cumprir, isto é, de a adiar. Assim, temos que voltar, que regressar, para apurar e melhorar o que porventura deixámos por fazer." Margarida Pedrosa in Só ao bispo me confesso

Sexta-feira, Agosto 12, 2005

Maria Rita...

Encontros e Despedidas by M. Nascimento E F. Brant

Mande notícias do mundo de lá

Diz quem fica

Me dê um abraço

Venha me apertar

Tô chegando

Coisa que gosto é poder partir

Sem ter planos

Melhor ainda é poder voltar

Quando quero

Todos os dias é um vai-e-vem

A vida se repete na estação

Tem gente que chega pra ficar

Tem gente que vai pra nunca mais

Tem gente que vem e quer voltar

Tem gente que vai e quer ficar

Tem gente que veio só olhar

Tem gente a sorrir e a chorar

E assim, chegar e partir

São só dois lados

Da mesma viagem

O trem que chega

É o mesmo trem da partida

A hora do encontro

É também despedida

A plataforma dessa estação

É a vida desse meu lugar

É a vida desse meu lugar

É a vida

Nós e laços...


Deixaste a minha vida cheia de nós e só tu tens o poder para os desatar, o poder de me livrar de todos os laços que construíste, que me cercam, que me prendem, impedindo um simples gesto como respirar! Só me libertando me conseguirás ter... Livre...

Ponto de vista do dia...

"Esperar custa, e mais ainda quando o sonho tantas vezes nos visita e ainda não se encontrou o caminho para o concretizar." Margarida Pedrosa in Só ao bispo me confesso

Quinta-feira, Agosto 11, 2005

Com este pequeno texto deu-me vontade de reler "Fernão Capelo Gaivota" de Richard Bach...

Era uma vez uma gaivota. Tinha-se perdido do grupo e vagueava há muitos dias no mar alto, sem rumo. As forças começavam a faltar-lhe, já não iria aguentar muito tempo a planar, pousando apenas ao de leve nas águas para tomar o fôlego mas sendo obrigada de seguida a subir, a voar, voar sempre. Eram águas onde não encontrava alimento para ela. Tinha de ser um tipo certo de peixe, que vivia noutros mares que não aquele... E a gaivota estava cada vez mais fraca.
- Mas não desistirei!, pensava ela no seu cérebro pequenino de gaivota.
- Hei-de voar, até que não sobre a mínima réstea de força, de esperança. Até que as asas me pesem como chumbo e me levem até abaixo, ao mar que tanto amo, para não mais me conseguir levantar. Flutuarei até poder. E quando o último suspiro se soltar, e a última força me abandonar, aí sim, mergulho. Até ao fundo.
Enquanto estava nestes pensamentos, a gaivota pensou, ao longe, ter visto algo. Uma claridade ténue, como a luz leitosa da lua. Ou da neve. Pisco